Integração entre oração/ação apostólica

“A oração é a eficácia e a fecundidade da pregação evangélica; é a parte mais forte, mais poderosa do apostolado, como nos ensinou Cristo, soberano modelo de vida apostólica” (Discurso de São João Batista Scalabrini aos missionários que partiam, 24 de janeiro de 1889 (Voz Atual, p. 435).

Nosso fundador, São João Batista Scalabrini é um homem que antecipou os tempos, na ação e também nas suas convicções espirituais. A frase por ele proferida aos missionários que partiam, em 1889, mais de um século depois, encontra profunda ressonância no documento da Igreja: “O missionário deve ser um contemplativo na ação” (RMi, n. 91) e isto significa ser possuído pelo Espírito de Deus, num crescimento que S. Paulo expressava com as palavras: caminhar no Espírito, deixar-se guiar pelo Espírito, viver do Espírito (Gl 5,16.18.25). Esta profunda experiência de Deus torna o missionário/a uma testemunha capaz de dizer: “O que vimos, ouvimos e contemplamos, vo-lo anunciamos” (1Jo 1,1-3).

Afirmar que a oração é a eficácia, a fecundidade, a parte mais forte, mais poderosa do apostolado, é ter a profunda convicção que na atividade missionária a oração e a missão precisam ser integradas. Ambas estão intimamente conectadas. Só quem encontra o Verbo, sente o desejo e a compreensão da missão e tem também a constância no resistir às suas exigências. A missão nasce da necessidade de imitar Cristo, que sendo de natureza divina veio para servir. Do encontro com Cristo brota a disponibilidade missionária incondicionada.

A oração é a fonte que transforma o missionário/a e faz que ele/a esteja em sintonia com Aquele que o envia. “Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanece na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim” (Jo 15,4). Permanecer n’Ele é a condição para emanar a sua vida, aquela vida que Ele quer doar em abundância (Jo 10,10).

Só a oração pode sustentar a pessoa, também nos tempos de deserto, da aridez na missão e, muitas vezes, no esforço de entender a vontade do Pai. Assim fazia Jesus quando “se retirava em lugares solitários para rezar” (Lc 5,16) e depois voltava à missão que o Pai lhe tinha confiado.

Inúmeros escritos de nosso santo Fundador revelam como ele estava convicto do poder da oração e de sua eficácia no apostolado. “A oração é uma doce violência ao coração de Deus. Quando ela é humilde, fervorosa, perseverante, é a chave dos tesouros celestes, é como o respiro da vida espiritual. Na oração encontrareis alento e conforto no meio das tribulações da vida” (Carta Pastoral, 1882). Afirmava também que a oração é um comércio invisível da pessoa com Deus. Como um carro, por mais lindo que seja, se lhe falta a força do motor, não anda, assim também o nosso coração, se lhe falta o sopro animador do Espírito de Deus, que só pode nos vir da oração, não será capaz de fazer alguma coisa de verdadeiramente grande, nobre e duradouro (Carta Pastoral, 1886).

Para São João Batista Scalabrini, a oração é a luz, o calor, o alimento, o conforto, a vida da alma humana, a fonte dos bons e algumas vezes dos grandes pensamentos: “Perguntem àqueles que creem, é lá que eles encontraram a luz da fé; perguntem aos santos, e lá que eles encontraram os socorros da graça; perguntem aos gênios, é lá que eles encontraram a luz da ciência. A oração transfigura, sublima e diviniza a pessoa. Diante da oração Deus não pode resistir por muito tempo. Por isso Scalabrini afirma com convicção: Aquele que não reza não tem alma. Ou não entende, ou não sente, ou não ama” (Carta Pastoral, 1905).

Uma profunda vida de oração é alimentada pela fé. Estava convicto que a fé é necessária às obras e as obras à fé. Sem as obras a fé é estéril, sem a fé as obras são ineficazes (Carta Pastoral, 1884 e 1897). Dizia também que era necessário ter: “Uma fé firme no espírito, corajosa na língua, eficaz nas obras” (Discurso por ocasião do Ano Novo, 1899).

Como irmãs scalabrinianas, continuadoras da obra iniciada por Scalabrini, nossa missão na Igreja é sermos “memória viva da unidade na diversidade, atuando no mundo da mobilidade humana, de preferência entre os migrantes, empenha-se no anúncio do Evangelho, revelando-lhes a ternura materna de Deus e da Igreja” (NC, n. 112). Para cumprirmos esta missão, só uma vida de profunda comunhão com Deus pode nos tornar suas discípulas missionárias, testemunhas de sua ternura, bondade, compaixão, solidariedade e anunciadoras proféticas da Boa Nova de Jesus Cristo.

O tempo dedicado à oração não diminui o empenho pastoral. A oração transborda em ação. Na história da Igreja, são os santos aqueles que deixaram a sua marca mais positiva, homens e mulheres que realizaram a si mesmos no mistério de Deus, numa harmonia entre contemplação e ação, onde o ser vem antes do fazer. E assim viveu também Scalabrini. Das longas horas diante do Santíssimo brotava sua energia missionária, seu amor incondicionado, que o fez assumir como lema de ação: Tudo para todos.

Este seu lema de vida e de ação fez com que as pessoas e a Igreja o reconhecessem como santo, uma santidade vivida no cotidiano. O papa Francisco fala da santidade “ao pé da porta”, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus. “A santidade é o rosto mais belo da Igreja” (GE, n. 7.9), é a ‘medida alta’ da vida cristã ordinária. As vias são diferentes para cada pessoa e exigem uma verdadeira pedagogia da santidade, que seja capaz de adaptar-se aos ritmos das pessoas. A santidade é também o horizonte para o qual deve tender todo o caminho pastoral. E colocar a santidade como meta da programação pastoral, é uma opção carregada de consequências (NMI, n. 31).

Irmã Analita Candaten,mscs

Oração a São João Batista Scalabrini
Oh, bem-aventurado João Batista Scalabrini,
com coração de Bispo e fervor de Apóstolo,
Tu te fizeste tudo para todos.
Escutaste o clamor dos migrantes, falaste em seu nome, defendeste seus direitos.
A Eucaristia foi teu sustento, a Cruz de Jesus teu refúgio,
Maria, Mãe da Igreja, teu conforto.
Por tua intercessão Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo,
conceda paz a toda a humanidade,
proteja os que cruzam mares e fronteiras apoiados na esperança,
abençoe a nós e nossos familiares
e conceda-nos a graça que confiantes te pedimos. Amém!

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As Scalabrinianas desenvolvem sua missão através de atividades nos âmbitos da catequese, educação cristã, pastoral da saúde, pastoral social e pastoral das migrações.
Atualmente também marcam presença em organismos eclesiais e internacionais, em organizações civis e não-governamentais

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